2. A CABECEIRA é formada pela capela-mor e por dois absidíolos: a Capela do Amparo (hoje conhecida também como a Capela de  N  Srª de Lourdes)  e a Capela  do Santíssimo.

 

2.1. A Capela do Amparo é coberta por uma abóbada ogival, cujas nervuras se entrecruzam e prendem por chaves onde estão esculpidas na pedra as armas reais, a esfera armilar (no centro), nas restantes existem florões. Esta capela da acesso à antiga Sacristia por urna porta ogival com grade de ferro. A antiga sacristia hoje conhecida também como a capela da Senhora do Monte, situa-se na base da torre sineira e éconstituída por uma abobada cruzada de ogivas, simples e com quatropanos. A porta é de madeira e do séc. XVI, ou seja, original. A Capela do Amparo, gótica, com dois tramos e abside de trêspanos, possui painéis de azulejos azuis e brancos que ali foram colocadosem l626.

 

2.2. A CAPELA DO SANITÍSSIMO SACRAMENTO é muito idêntica , interiormente, à antiga capela do Amparo. Foi enriquecidacom trabalhos em talha dourada no ano de 1772. 

                O intradorso de abóbada está ornado de nervuras que se cruzam no centroe prendem por chaves, nas quais estão esculpidos motivos eucarísticos: ocordeiro, espigas de trigo e um cacho de uvas.

             Merece realce o notável Sacrário em prata, executado na Madeirano terceiro quartel do séc. XVII. Sofreu no séc. XVII algumas alteraçõesque não vieram beneficiar em nada. A capela do Santíssimo possui noexterior, por cima do pórtico, uma pintura do séc. XVI[, representando uma"Ceia de Cristo"

 

2.3. As Capelas do AMPARO e do SANTÍSSIMO, comunicam com o transepto por um arco gótico.

            Na Capela do AMPARO, sobre o arco que liga ao transepto, estáuma tela com Nossa Senhora do Amparo, enquadrada em conjunto detalha dourada. A tela representa todas as classes sociais e religiosas amparadas sob o manto da Virgem, e dois anjos sustêm uma fita onde estaescrito em latim: «Sub tuum praesidium confugimus, ò virgo» (à tuaproteção nos acolhemos, ó Virgem).

 

2.4 A CAPELA-MOR comunica com  transepto por um arcotriunfal ornamentado de lóbulos. É iluminada por duas frestas onde foramcolocados em julho de 1959, dois vitrais da autoria de J. Rebocho.Termina por uma abside de 3 graus que são amparados exteriormente por 4 contrafortes de andares coroados por uma varanda de pedra, sobressaindoos remates dos contrafortes e uma pequena sineira. Os absidíolos estãocobertos por abóbadas ogivais e terminam por uma abside de 3 paus" Agrilhagem que os coroa, tem como motivo decorativo a cruz de Cristo,delicada e cortada por pináculos.

 

2.5. O retábulo e o cadeiral da capela-mor (séc. XVI), são atribuídos ao Mestre da Lourinhã e a Olivier de Gand" O retábulo écomposto por cinco corpos cobertos por um sobrecéu, que também cobreo altar. Os corpos estão separados por pilastras de ornato flamejante e divididos em três andares: na parte central ficam os nichos com o sacrário (inferior) e a escultura de Nª Srª da Assunção (padroeira da Catedral - no meio), e nas restantes partes existem pinturas atribuídas a Francisco Henriques (?). Os sobrecéus têm um rebordo maravilhosamente rendilhado de talha dourada, com as armas reais no centro e ladeado por esferas armilares.

 
2.6. CADEIRAL - É um conjunto muito valioso e artístico repleto de símbolos (séc. XVI). É composto de 2 ordens de cadeiras corais; a superior destinava-se aos capitulares e a inferior aos capelães (tem um friso em talha dourada e como sobrecéu, o parapeito da estante dos cónegos.
           As cadeiras dos capitulares estão separadas, subindo pelo espaldar, para continuar no sobrecéu e terminar em esguio coruchéu.
           As cadeiras dos capelães também estão separadas umas das outras por uma pilastra que termina com uma pequena figura humana ou de animal.
         No espaldar das 22 cadeiras superiores está escavado um nicho, coberto por um baldaquino de finíssima renda de talha dourada, onde foi esculpida em baixo relevo uma imagem de apostolo ou de profeta. Estão vestidos com vestes amplas, de sabor flamengo e sustentam nas mãos os instrumentos do martírio" O final das pilastras do cadeiral dos capelães está ornamentado com figuras, algo fantasiosas, onde se adivinha a fé, a ironia e a malícia de quem as esculpiu. 

         As figuras mais interessantes estão na parte inferior dos assentos, onde se vê um javali fiando, um touro, um borracheiro, uma águia com uma serpente no bico, um burro a cantar diante de um livro, um homem a tapar os ouvidos para não ouvir o coro desafinado, um urso comendo, tuna raposa vestida de burel tentando enganar uma galinha, um cavaleiro com um saco à cabeça. Paulo descendo os muros de Damasco dentro de um cesto, uma raposa e um galo, um homem fabricando um borracho, um animal com o filhote as costas, um oleiro, um carregador com um carro-de-mão, um homem com um burro às costas, um leão, uma cadela com o filho, Sansão estrangulando um leão, um lavrador apanhando fruta, um galo, e um cão a  lamber-se.

            Nos braços das cadeiras e no fim das pilastras do nível superior, as figuras são simples, embora muitas despertem interesse pelo seu simbolismo: por exemplo, o acrobata, o caracol, o cão roendo um osso, o porco pedindo esmola, o diabo, o leão, o homem das galés, o cavador, o lavrador fazendo vinho, o bobo, a mulher nua, um rapaz abrindo a boca com as mãos a um animal.

© Catedral do Funchal - Pe. Ignácio F. Rodrigues