O brasão de armas de D. Nuno Brás é da autoria de J. Bénard Guedes.

 

Descrição heráldica:

Escudo de púrpura, com espada abatida de ouro, entre uma estrela de sete raios de prata, à dextra, e um ramo de oliveira de prata, frutado de ouro, à sinistra.

O escudo assenta sobre cruz pastoral de ouro, guarnecida de nove pedras de vermelho e encimada por chapéu eclesiástico, de cordão de 6 + 6 borlas, tudo de verde.

Na base do escudo, listel branco com a legenda em maiúsculas: "IN VERBO TUO" (Na Tua Palavra).

 

Leitura:

A espada: S. Paulo afirma que a Palavra de Deus é a "espada do Espírito" (Ef 6,17), e a Carta aos Hebreus afirma que ela é "viva e eficaz, mais penetrante que qualquer espada de dois gumes (...); Ela julga as disposições e as intenções do coração" (Heb 4,12). Por outro lado, a espada faz também referência à terra de origem do novo bispo (Vimeiro), que tem como orago S. Miguel, e ainda a S. Nuno de Santa Maria que, deposta a espada da guerra, deixou que Deus saísse vencedor, vivendo os seus dias no recolhimento do Convento do Carmo (Lisboa) na santidade de vida e na repartição dos seus bens pelos pobres.

A estrela faz referência à Virgem Maria, estrela da manhã, e à sua participação como crente no mistério da cruz (as sete dores da Virgem), cumprindo a profecia do velho Simeão (Lc 2,35: "Uma espada trespassará a tua alma").

O ramo de oliveira, com 7 folhas e 12 azeitonas, para além de aludir ao mistério de Cristo, o Ungido pelo Espírito, cujo sacerdócio é participado de modo pleno pelos Bispos, sucessores dos Apóstolos, alude também aos 7 dons e aos 12 frutos do Espírito Santo, bem como à caridade que sempre anima a acção pastoral da Igreja. Faz ainda referência ao Seminário dos Olivais, onde o novo bispo exerceu grande parte do seu ministério sacerdotal.

O lema "In Verbo tuo", é retirado de Lc 5,5. Depois de uma noite infrutífera de pesca, e de ter escutado a palavra de Jesus, Ele próprio a Palavra de Deus, que falava à multidão a partir da sua barca, S. Pedro é convidado pelo Mestre a lançar de novo as redes. Apesar do seu conhecimento da arte da pesca lhe dizer ser inútil retomar essa actividade, S. Pedro faz uma profissão de fé, afirmando que voltaria a lançar as redes por causa e na palavra de Jesus, sendo então confrontado com a pesca de "tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam". Toda a actividade do Bispo consiste em repetir esta profissão de fé: depois de escutar o Senhor que fala a partir da barca de Pedro que é a Igreja, o Bispo deve viver e agir não a partir duma mera sabedoria humana mas a partir da Sabedoria que é o próprio Jesus, convidando a todos para viverem a felicidade de conhecer o Senhor e de com Ele viver.

© Catedral do Funchal - Pe. Ignácio F. Rodrigues

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